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Elos dá voz ao protagonismo surdo e emociona público em Caraguatatuba

há 7 minutos
3 min de leitura

Houve momentos em que as mãos disseram tudo. Em outros, foram as histórias de quem aprendeu desde cedo a superar barreiras de comunicação que emocionaram o público. Assim foi a primeira edição do Elos – Encontro da Educação de Surdos, realizada na noite de quarta-feira (23), no Teatro Mário Covas, em Caraguatatuba.


Promovido pela Secretaria Municipal de Educação dentro das ações do Setembro Surdo, o encontro aproximou estudantes, educadores, famílias e comunidade em uma noite de troca de experiências, cultura e valorização da Libras, com os próprios estudantes surdos no centro da programação.


A acessibilidade começou pela organização do evento. Toda a programação teve tradução simultânea para a Língua Portuguesa, na modalidade oral, feita por profissionais da Secretaria de Educação. Dessa forma, a comunidade ouvinte também pôde acompanhar um encontro conduzido com a Libras em evidência.


A coordenadora de Educação Especial e Inclusiva, a fonoaudióloga Carla Vasconcelos, explicou que o nome Elos traduz justamente essa proposta. “É essa conexão entre as pessoas, a escola e a sociedade. Nosso trabalho é incluir e criar caminhos para que cada pessoa possa participar, se comunicar e, acima de tudo, pertencer”, destacou.


Carla lembrou ainda que o trabalho desenvolvido na educação bilíngue colocou Caraguatatuba entre os finalistas do Prêmio AMVale Unitau de Gestão Responsável 2026.


A secretária de Educação, Roseli Morilla, abriu sua fala com uma saudação em Libras. “É uma noite muito especial, fruto de muito planejamento. Que seja o primeiro de muitos encontros, que possamos estar sempre inovando e que tenhamos muita troca de experiências e conhecimento”, afirmou.


Histórias contadas por quem vive essa experiência

O protagonismo dos estudantes apareceu desde o palco. Alunos surdos do 1º ao 5º ano da EMEFEBS Prof. Ricardo Luques Sammarco Serra apresentaram uma adaptação teatral do livro “O Rato Roeu a Roupa”, de Ana Maria Machado. Um vídeo produzido pela Secretaria de Educação sobre a Educação de Surdos na rede municipal também emocionou o público.


O encontro contou ainda com a participação de estudantes atendidos pelas EMEI/EMEF Bernardo Ferreira Louzada e EMEI/EMEF Prof. Lúcio Jacinto dos Santos. Alunos da EMEF Prof. Auracy Mansano apresentaram o “Pequeno Manual da Cultura Surda” e estudantes do curso de Libras da Secretaria de Educação interpretaram a música “Meu Abrigo”.


Convidada para a palestra da noite, a professora Aline Souza compartilhou uma trajetória marcada pela própria experiência com a surdez. Nascida ouvinte, ela perdeu a audição ainda criança e conheceu a Libras aos 3 anos. Relatou as dificuldades de estudar em uma escola sem intérprete e a transformação vivida quando passou para uma unidade preparada para recebê-la. Mais tarde, escolheu a Educação como profissão.


Aline abordou as diferentes identidades existentes dentro da comunidade surda e destacou que não há uma única experiência com a surdez. Também apresentou situações do cotidiano que podem ser usadas no ensino para aproximar conceitos da realidade dos estudantes.


Um dos momentos mais marcantes da noite foi o bate-papo com Brayan e Davi, estudantes do 9º ano que encerram neste ano uma trajetória iniciada no 1º ano do Ensino Fundamental da EMEFEBS Prof. Ricardo Luques Sammarco Serra.

Brayan falou sobre a adaptação à escola, os vínculos construídos ao longo dos anos e a expectativa para o Ensino Médio. Davi lembrou os nove anos vividos na unidade e o orgulho de hoje servir de referência para outros estudantes surdos.


“Eu tenho implante, sou oralizado, mas a Libras é a minha língua, é onde me sinto confortável. Isso precisa ser respeitado, porque cada surdo tem sua identidade. O mais importante é a comunicação acontecer”, resumiu Davi.


O prefeito Mateus Silva destacou a força dos relatos apresentados durante o encontro. “Foi um evento incrível, que toca a gente. Fico muito feliz pela oportunidade de conviver, ainda que um pouco, com vocês. Que continuem com essa garra e determinação na trajetória e tenham muito sucesso”, disse.


A primeira edição do Elos terminou com uma mensagem construída ao longo de toda a noite: inclusão não é apenas dividir o mesmo espaço. É garantir comunicação, participação, compreensão e pertencimento.

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