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Entre cortejos, tambores e memória coletiva, Congada de São Benedito atravessa gerações em Ilhabela


Ao som de atabaques, marimbas de madeira e cânticos tradicionais, a Congada de São Benedito volta a ocupar as ruas do Centro Histórico de Ilhabela entre os dias 15 e 17 de maio, mantendo viva uma manifestação cultural que atravessa mais de dois séculos de história no município. Misturando religiosidade popular, encenação teatral, música e dança, a celebração segue como uma das expressões mais marcantes da identidade caiçara local.


Transmitida entre gerações de congueiros, a tradição preserva referências das culturas africanas bantu e encena, em forma de cortejo e batalha simbólica, a disputa entre dois povos pelo direito de celebrar São Benedito. A narrativa acompanha o conflito entre o Rei do Congo e o Embaixador de Luanda, personagens centrais de uma história marcada por separação familiar, guerras e reconciliação. Ao final, a descoberta do vínculo entre pai e filho encerra o confronto e transforma a celebração em um ritual coletivo de fé.


Os ritos são divididos em momentos específicos, conhecidos como “Roldão”, “Alvoroço” e “São Mateus”, cada um representando etapas distintas da encenação. Durante os bailes, integrantes percorrem as ruas do Centro Histórico vestidos com trajes tradicionais, acompanhados pelo ritmo dos tambores e pelas coreografias que reproduzem antigos confrontos cerimoniais.


Outro elemento que permanece como parte central da festividade é a Ucharia, refeição comunitária preparada de forma coletiva pelas famílias dos congueiros e por devotos de São Benedito. O costume remete às antigas cozinhas comunitárias, onde alimentos eram reunidos por meio de doações para alimentar participantes e visitantes. Até hoje, parte do preparo mantém métodos tradicionais, com panelões aquecidos em fogões improvisados com pedras e lenha.


A programação integra a Semana da Cultura Caiçara e inclui procissões, levantamento do mastro de São Benedito, missa dos congueiros, bailes tradicionais e distribuição de alimentos ao público. Mais do que uma celebração religiosa, a Congada segue como um espaço de preservação da memória coletiva, da oralidade e das tradições populares mantidas por moradores da ilha ao longo das gerações.


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