O fim de Felipe Augusto? Pior votação desde 2012 expõe novo momento político do ex-prefeito

Felipe Augusto encerrou as eleições de 2026 com seu menor resultado em São Sebastião desde que disputou a Prefeitura pela primeira vez, em 2012.
Candidato a deputado federal, recebeu 9.534 votos no município e 14.994 em todo o Estado. Não foi eleito. Apesar disso, foi o candidato a deputado federal mais votado em São Sebastião, com 19,50% dos votos válidos para o cargo.
A comparação com sua trajetória local mostra a mudança. Felipe teve 11.993 votos em 2012, chegou a 19.924 em 2016 e alcançou 23.501 em 2020, quando foi reeleito prefeito tendo Reinaldinho Moreira como vice. Agora foram 9.534. São 13.967 votos a menos que em 2020, diferença de 59,4%.
O resultado convida à reflexão sobre a trajetória de Felipe Augusto, marcada pela investigação por violência doméstica, pelo processo envolvendo munições e pela rejeição das contas de 2022, com parecer desfavorável do TCE e votação de 12 a zero na Câmara. Somam-se a esse histórico acusações de irregularidades e suposto desvio de recursos públicos.
São eleições diferentes. Uma disputa para prefeito não pode ser comparada diretamente com uma eleição proporcional para deputado federal. Ainda assim, a sequência registra a redução da votação pessoal de Felipe justamente no município onde construiu sua carreira política.
Sem os antigos aliados
A eleição de 2026 também foi a primeira grande disputa depois do rompimento entre Felipe e Reinaldinho.
Os dois estiveram juntos por anos. Reinaldinho foi vice de Felipe e, em 2024, venceu a eleição para prefeito com 29.083 votos. Depois do rompimento, parte das lideranças que integravam o antigo grupo permaneceu próxima ao atual governo.
Enquanto Felipe buscava uma cadeira em Brasília, Reinaldinho ampliou sua interlocução com lideranças estaduais, aumentou ainda mais sua relação com o governador Tarcísio de Freitas. São Sebastião recebeu durante a campanha nomes ligados ao grupo do governador, entre eles Guilherme Derrite, André do Prado, Maurício Neves, entre outros.
O resultado mostrou que o grupo político que esteve durante anos ao redor de Felipe não desapareceu com sua saída da Prefeitura. As alianças foram reorganizadas e Reinaldinho passou a ocupar espaço próprio nessa articulação.
São Sebastião continua sendo a principal base
A geografia do voto também chama atenção.
A tentativa de transformar oito anos à frente da Prefeitura em uma candidatura com maior alcance regional e estadual não produziu votos suficientes para conquistar uma cadeira na Câmara Federal.
Felipe continua com uma base eleitoral relevante em São Sebastião, mas terminou sua primeira eleição após o rompimento com Reinaldinho sem mandato e com seu menor número de votos no município desde 2012.
Processos também fazem parte do novo cenário
A derrota ocorreu ainda em um período marcado por questionamentos judiciais e administrativos.
Felipe tornou-se réu em 2026 no processo que apura o suposto desvio de 2.187 munições provenientes de lotes vendidos à Prefeitura e destinados à Guarda Municipal. A defesa contesta a acusação, questiona as provas e ressalta que o recebimento da denúncia não representa condenação.
As contas de 2022 de sua administração também foram rejeitadas pela Câmara por 12 votos a zero, seguindo parecer prévio desfavorável do Tribunal de Contas do Estado. A defesa sustentou que as inconsistências apontadas eram formais e que não houve prejuízo ao erário.
Não é possível atribuir o resultado eleitoral a uma única causa. Os fatos, porém, mostram que Felipe voltou às urnas em uma situação política bastante diferente daquela de suas duas vitórias para prefeito.
O que mudou foi o cenário. Felipe está fora da Prefeitura, não conquistou mandato federal e já não reúne ao seu redor parte importante do grupo político que participou de suas maiores vitórias.
Ao mesmo tempo, Reinaldinho venceu a sucessão municipal e passou a construir suas próprias alianças. Por isso, a questão deixada pelas urnas não é se Felipe desapareceu da política, mas se conseguirá reconstruir, fora do poder e sem parte dos antigos aliados, a força eleitoral que teve até 2020.





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